Risco cardiovascular e actividade física: estudos em Moçambique

Claudia L. de M. Forjaz, Rafael A. Rezende, Eleutério Calua, Patricia N. de Sousa, Carla Silva-Matos, Albertino Damasceno

Resumo


O conhecimento da prevalência dos factores de risco cardiovascular é fundamental no acompanhamento do processo de transição epidemiológica pelo qual atravessam países como Moçambique. Os resultados obtidos num inquérito nacional de 2005 demonstraram que a hipertensão arterial era o factor mais importante, a diabetes e a obesidade ainda não eram preocupantes, mas o consumo de tabaco e álcool eram excessivos. Por outro lado, os níveis de actividade física eram elevados, embora nas cidades existisse uma prevalência importante de sedentarismo. Um novo inquérito nacional foi realizado em 2015, mas os seus resultados não estão disponíveis. Considerando-se a relação entre actividade/aptidão física e risco cardiovascular, os estudos observacionais com crianças/adolescentes relataram relação inversa tanto na zona rural quanto na urbana. Entre os adultos, essa relação inversa foi observada apenas com a obesidade. Nos estudos de intervenção, uma sessão aguda de exercício resistido reduziu a pressão arterial e, em dois estudos crônicos, o treinamento aeróbico mostrou resultados controversos. Os estudos disponíveis mostram prevalência de factores de risco cardiovascular não muito elevada em Moçambique, mas eles datam de 2005, necessitando actualização. A clássica relação inversa entre actividade/aptidão física e risco cardiovascular, embora evidenciada em crianças, deve ser confirmada em adultos. Para completar, o efeito benéfico de intervenções com exercício físico ainda deve ser melhor investigado, sendo essas lacunas abertas à pesquisa em Moçambique.

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